
Em meio de tantos fatos hedônicos, volto ao mesmo ponto que toquei meses atrás. Uma vida refeita para ser consultada após vários segundos de vivência, e quando digo vários não economizo em quantidade momento algum.
Tendo os braços livres, os dedos soltos, começo a marcar intervalos de tempo que nunca sairão de minha memória. Potes postos atrás de objetos marcantes, conteúdos previstos para um futuro incerto, uma vida que poderia ser mais, muito mais se tudo conspirasse a favor de nós. Um ano e meio sem conseguir encontrar uma pessoa morando na mesma cidade, mesmo com horários marcados e lugares certos para isto; e apenas depois de todo esse tempo o destino se rende e acaba não ligando mais para as interrupções da felicidade de seres.
E aquela música tocada hoje em dia por nós, nesta roda que me envolve, não fará o sentido que aquele dia o momento fez fazer, fazendo e refazendo feitos, meus sonhos rodeados em uma garrafa sem ao menos ser expresso por olhares que poderiam fazer total sentido ao seu peito apertado em sentimentos febris.
Cabeça baixa, mãos entrelaçadas, braços sem força, corações disparados, calores trocados em busca do equilíbrio que um dia Aristóteles quis afirmar, mas acabou com suas ideias interrompidas por estar apaixonado.
As luzes lá fora iluminarão visões de diferentes pessoas. Já nascemos ouvindo que cada um é cada um, e ninguém mexe no que foi feito para começar e terminar intacto.
Anuncio agora, senhoras e senhores, o fim de tudo, o fim da moral constituída na forma de uma religião imposta por maiores; e hoje você tem raiva de todas essas mascaras das pessoas, que cheias de graça impõem verdades à serem aceitas, mas amanhã, aaaaaaah, amanhã, sinto em dizer e ser negada, mas você fará graça e ignorará todas elas, e elas por fim terão raiva, pois agora você pensa.
Honorários em cima de pensamentos distintos, e tudo o que posso afirmar é que mesmo com luzes não consigo enxergar mais nada.
