Marcos Vieira da Silva
Corajoso aquele que fala de si como se falasse dos outros
Porque se igualiza ao mundo
Sábio aquele que fala dos outros como se falasse de si
Porque sente que é extensão do próprio mundo.
Talvez as bocas nunca cessem suas lamentações...
Talvez os lábios nunca encontrem o beijo certo...
Se a mente cede à língua solta
Pode-se entender porque Adão e Eva morderam a maçã.
Os olhos que afirmam são os mesmos que confundem.
Os que inocentam são os mesmos que denunciam.
Entregar um olhar é querer ser olhado de dentro pra fora,
E o que se faz, compreendido de fora para dentro.
A mente é o castelo e a muralha de si mesmo.
A muralha mais forte nem sempre guarda o castelo mais rico.
E a mais fraca faz parecer que o castelo não é rico.
Mas todos querem conhecer os castelos.
A palavra que sai da boca para chegar ao castelo
Espreita a muralha pela denúncia do olhar.
A coragem e a sabedoria do castelo unem palavra e olhar
Para conhecer a si mesmo e o que há depois da muralha.
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